Adoro te ver sorrindo. Já disse isso? Provavelmente, mas digo de novo. E de novo. E quantas vezes forem precisas, ora. Aposto que você gosta quando eu falo, já que me retribui com o motivo da declaração.
Acho quase impossível de entender como as covinhas na tua bochecha te deixam mais perfeita ainda. E você fica envergonhada quando eu falo sobre elas. tsc tsc. Deixa de besteira, vai. Cadê o sorriso?
E quando gargalha? É um som bonito esse que você emite quando não segura a graça. A tua graça, então, me deixa inebriado. Embriagado. Apaixonado.
Por isso que eu assumi esse tom meio palhaço. Por que a cada sorriso eu me apaixono mais por você. E eu gosto disso, não tenho medo. Cada gargalhada que eu arranco de ti me deixa mais próximo do que eu julgo ser amor. E amor é feito disso. Feito de momentos ruins também, mas principalmente de sorrisos.
O que é isso?!
Tá sentindo isso? Já ouviu falar desse formigamento que se espalha pelo corpo todo começando pelas mãos? Essas borboletas que teimam em querer sair do seu estômago? Chega a assustar, meu bem.
E essa música leve e calma tocando aqui atrás? De onde ela vem? De vez em quando, toca um rock mais rápido. Quem é o DJ? Ouvi falar que ele escolhe as batidas de acordo com os momentos. Só que a gente não pode escolher o ritmo delas, é tudo natural. Esse deejay sabe mais de mim do que eu mesmo, pelo visto.
Também sinto um cheiro meio doce que paira por aí, mas esse eu sei bem de onde vem: do teu pescoço. E o gosto bom vem do teu hálito quente. O resto é que eu ainda não faço ideia.
Viu só como eu não sou tão bobo quanto você pensa? Sou nada, eu sei bem cuidar de mim e diferenciar o que sinto. É tanto que eu tenho certeza que não sinto nada demais por você, nada a mais. Nada a mais do que mereces, nada mais do que amor.
”Falta entender, o que me faz pensar que só ela pode ter tanta paz pra me dar. Ninguém mais tem tanta paz. Eu te vi e cheguei pra falar: - Tudo certinho?” ♫
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você.
“
—
Dançando, Agridoce.
Para com isso.
Costurar sem linha
De que adiantaram todos os avisos? De que adiantou toda a nossa preocupação antecipada? E o nosso acordo? De nada serviu, meu bem.
O que foi combinado antes era impossível de ser cumprido. Impossível de ser lembrado quando nos tocávamos. Não tinha como recordar do que foi dito enquanto eu sentia teus lábios nos meus. Você conseguia lembrar?
Fizemos planos para que não chegássemos a este ponto e, olha que inesperado, chegamos. Como se não soubéssemos aonde tudo isso ia dar. Como se não esperássemos que todos aqueles beijos fossem resultar em mais do que simples dancinhas num salão lotado de “casais de balada”.
Tentamos construir nossa história de uma forma diferente. Usamos de todos os modos anticoncepcionais para barrar esse desejo. Nos comunicamos e conversamos sobre o assunto. Costuramos nossa história. A história que queríamos. Só não percebemos que nossas agulhas estavam sem linha.